sábado, 18 de dezembro de 2010

O Valor do Perdão



“Você quer ser feliz por um instante?
Vingue-se.
Você quer ser feliz para sempre?
Perdoe."

Perdoar segundo o sábio Salomão implica em esquecer o ocorrido, mas como esquecer aquilo que fere a ponto de nos deixar uma fenda dolorida? Tudo bem que quando uma ferida é aberta à dor ajuda a entorpecer a sanidade das razoes, e muitas vezes ficamos emocionais, mais instintivos do que racionais, com sentimentos mais aflorados, muitas vezes regredimos a modos mais primitivos...

Todavia pessoas como Madre Teresa de Calcutá e Jesus Cristo de Nazaré, tinham uma natureza profundamente lapidada, conseguiam fazer um deslocamento em nível superior, deslocavam a dor das agressões recebidas e as transformavam em piedade, compaixão... Amor!

Indago-me, todos os dias a cerca desse tema... Perdão. Por isso estou aqui mais uma vez, tentando por meio da catarse, do remoer, associar, refletir, aprender, pensar e repensar, um jeito de alcançar o Insight sobre esse tema, que já á alguns dias tem me assombrado o travesseiro e sido motivo de joelhos no chão e mãos atreladas no silencio das minhas meditações noturnas...

A teoria é bela a cerca do que aprendi sobre o perdão e bastante convincente em seus benefícios. Mas como alcançá-la?

Bem, comecemos pelas minhas especulações iniciais... Quando alguém, algo, uma situação, ou nós mesmos, nos deparamos com algo que nos fere profundamente, seja por decepção, ou uma traição em qualquer nível ou espécie, é como se uma dor momentânea irreparável, abrisse uma fenda profunda, uma ferida doida, talvez como a lepra, mas sentido não por sobre a pele, mas sentido no coração, na mente, no âmago...

Qual seria a tendência? Sorrir? Cintilar os olhos de Alegria?

Não, Não! Creio que estará mais próximo do irar, enraivecer, odiar, amargurar, chorar, entristecer-se, seriam sentimentos mais próximos a nos acometer subitamente. Afinal, somos seres humanos passiveis a esses sentimentos não?
As escrituras me ensinam que irar não é necessariamente pecar, ou seja, sentir ira momentânea não é errado, mas pode tornar-se pecado dependendo do que eu escolher fazer com ela.
Sabe... quando me feriram, tentei não nutrir a ira em meu coração, mas nutri um certo rancor, uma certa magoa, uma certa desconfiança, um certo cisma, um certo medo... Sinceramente? Fiquei arisca, profundamente magoada e muito decepcionada, mas minha decepção é em sua maior parte por minha própria incapacidade de talvez... Perdoar!

Como eu pecadora não dou o perdão a um igualmente pecador como eu? Se o Perfeito, o Deus dos Céus e Criador do Universo, nos perdoa!

Se Deus que é perfeito, perdoa o imperfeito, como eu imperfeita e pecadora ouso não perdoar outro que esta sob a mesma condição?

Mas sabe? Aquela ferida pode ser tratada, curada, ou seu dano reduzido e ficar uma cicatriz que nos remete a lembrança de algo superado, que nos foi causado para um refinamento de caráter. Só que como fazer para tratá-la?
Dia a dia, de joelhos eu entendo que perdão é um Dom, precisa ser buscado de joelhos, concedido pelo dono e criador do amor... Alias, entendi que o amor tem muito que haver com o perdão, e que perdão requer uma cura profunda, onde ninguém além dele meu poderoso senhor pode tocar.