sábado, 2 de novembro de 2013

Caminho pedregoso


       O que penso e o que sinto são definitivamente instancias muito peculiares. Distintas e um tanto curiosa. Tenho sido interpelada constantemente com a insinuação de que sou razão e pouca emoção. Penso e não me deixo sentir. Quase uma legalista de primeira classe... ! Será? Refuto mentalmente com o raciocínio simples de que o coração do homem é enganoso, e não é em vão que Deus nos fez seres pensantes dotado de capacidade intelectual, para que através de nossa mente Ele se comunique a nós. E que por vezes terei de fazer o certo mesmo quando minhas emoções forem contraditórias ao principio que rege a norma. Nem tudo o que sinto é santo e nem tudo o que penso é nobre. Mas a orientação divina é irrepreensível e incontestável. Eu o amo e nEle busco meu norte. Ele é meu guia e meu amigo intimo. Pra Ele conto tudo e a Ele abro sem reservas as recamaras escondidas dentro do meu âmago condoído. E por essa razão reconheço minha debilidade em possivelmente usar um raciocínio correto para esconder um fato. E o fato é que de uns tempos pra cá uma goteira constante tem enchido meus olhos de muitas lágrimas, de muita dor. Me sinto vulnerável. Talvez por isso a dureza toda ao tratar de assuntos de amor. Que infelizmente se encontram rancor e dissabor. Que me impulsionam a uma frágil fuga de intelectualização rala e racionalização aparente.
Numa vida amorosa em cinzas...! Nascerá, pois a Fênix ou o pó voara com o sopro quente da próxima estação ? Tudo se perderia? De tudo renasceria algo melhor? O que fazer se não se quer sentir, se não se quer chorar? Apenas estar, e ali parar. Quietinha e lentamente, tão somente respirar e suspirar, e por vezes ignorar. Adiar um problema me fez iludir a crença de que meus sonhos crescentes estavam seguros. Agora que os vi e os percebi... Desfaleci. Foi difícil. Mas reconheci em você aquele amigo-cumplice. Que corajosamente me ouve. Te dói eu sei, corrói. A incerteza do amor e a insegurança que essa tempestade emocional tem ocasionado entre a gente te tem feito sofrer e me feito correr meio contra você. Eu sei. Não tá fácil pra ninguém ! Tá horrível te ver assim. E horrível me sentir assim.
O caminho é pedregoso, sofrível, mas sei que é por aqui que devo andar. Não apenas bisbilhotar, mas encontrar a verdade que nos faz sofrer. Que me faz correr e fugir de você.
Meu coração petrificou. Após a represa de lagrimas ser liberada pra correr solta. Fui me conscientizando gradativamente, e colecionando as gotas gélidas de uma dor constante que em silêncio se formava entre nós dois nesses anos passantes. Á magoa dos sonhos frustrados, perdidos e das expectativas amarguradas são passageiras. Sei disso. Escolhi superar, perdoar. Isso uma hora vai passar. Só que em quanto dói, ganha forças com o medo pseudo-racional dos cálculos odiosos que me perturbam.