domingo, 10 de maio de 2015

Teatro da Vida

Em tempos rasos, a superficialidade superabunda com violência autêntica. A negação do interior (substancial) do ser humano, seus dilemas e frustrações sofrem com a nulidade de uma era que venera a aparência. O parecer ser é o colete salva-vidas em oceano bravo dos tempos modernos. Resultando numa busca desenfreada pela imagem perfeita, pelo ângulo exato, pela aparência aceitável, "bonita" - louvável! O ser humano de hj é uma "involução" do self verdadeiro. Pois refugiam-se em mecanismos cada vez mais superficiais pra sanar a dor de ser quem se é no íntimo. Pra fugir da dor da sua criança ferida.

Morre de medo de se ver de verdade. Preferindo se esconder com sorrisos fingidos, poses forçadas e beleza montada ao invés de encarar quem realmente se é. E esse autoengano tem resultado em perfis lotados nas redes sociais, mas desorientado, pobres, com relações vazias e contatos vagos. Esse é o reflexo do comportamento nitidamente vazio e carente, de um âmago reprimido. Que sofre - que se dói ! Cheios de vícios de ser quem se queria ser mas não se é. Que sofre em busca de amor e aceitação. Mas luta vorazmente com as ferramentas erradas. Em uma busca desenfreada por amor, lançam mão de máscaras que não sabem amar e ser amadas. Predominando a tendência "neurótica" de sarar a criança ferida com o personagem que só atrapalha, e distancia o remédio pra dor.

A busca por contentamento só é sanada quando se despedem as máscaras e os personagens que lhe roubam as chances de um dia ser aceito e amado na essência daquilo que se é. Assuma seu self. Mesmo destruído, medroso e desamparado estiver.

Assuma o que você é Independente das circunstâncias em que seu eu verdadeiro se encontra, debaixo de destroços e dor? Em fragmentos e retalhos? Não importa ! Pois só conheço um caminho pra cura verdadeira, e o caminho começa na coragem de se mostrar.